Os meus
pedaços são rareados
como flores no deserto.
Espalhados, eles estão,
frisados,
por aí,
por aqui,
acolá...
São fragmentos de uma vida,
fragmentada,
fragmentária.
São cacos
de um espelho quebrado,
alquebrado,
os quais narcisicamente evito.
Frago e flagro
movimentos no mundo,
fugidios,
furtivos,
cacofônicos e sinestésicos,
claustrofóbicos e surdos,
às vezes perfumados,
outras com mau cheiro.
Minhas lágrimas e gotas de suor,
secas como a areia do deserto,
estão pungidas no chão,
petrificadas no ar,
vaporizadas no céu.
São as chuvas de meu corpo,
são matérias vertentes
que vertem e fertilizam
minhas dores, dores,
vastas dores...
Se em pranto entro,
fecundo as terras do papel
e um poema brota.
O pranto planta um poema
e se suplanta,
momentaneamente,
minha melancolia sem fim,
meio ou início...
como flores no deserto.
Espalhados, eles estão,
frisados,
por aí,
por aqui,
acolá...
São fragmentos de uma vida,
fragmentada,
fragmentária.
São cacos
de um espelho quebrado,
alquebrado,
os quais narcisicamente evito.
Frago e flagro
movimentos no mundo,
fugidios,
furtivos,
cacofônicos e sinestésicos,
claustrofóbicos e surdos,
às vezes perfumados,
outras com mau cheiro.
Minhas lágrimas e gotas de suor,
secas como a areia do deserto,
estão pungidas no chão,
petrificadas no ar,
vaporizadas no céu.
São as chuvas de meu corpo,
são matérias vertentes
que vertem e fertilizam
minhas dores, dores,
vastas dores...
Se em pranto entro,
fecundo as terras do papel
e um poema brota.
O pranto planta um poema
e se suplanta,
momentaneamente,
minha melancolia sem fim,
meio ou início...

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