sexta-feira, 11 de março de 2016

Longa conversa noite adentro entre Vênus e o Cubas da triste figura

* Poema de Daysi Pacheco e Jefferson Assunção escrito em uma noite quente de quinta-feira em longa conversa por WhatsApp


Queria fazer parte do céu.
Me fundir a ele, perdurar pela eternidade da beleza
e mergulhar no sempre azul-marinho desse céu.

Céu céu vasto céu,
queria me fundir ao azul
como a abelha está ligada ao mel.

Que este momento sobreviva à idade da natureza,
pois eu quero viver até o fim dos tempos.

Quero abraçar o vento e a noite
para todo o sempre
e sempre, amém.
Seja por fado ou réquiem,
seja por bolero ou sonata,
seja por adágio ou guitarra.

A lua será nossa testemunha
e as estrelas nossas cúmplices.
Que elas enxerguem,
nas sombras,
o amante de todos os tons.

As nuvens brancas nada têm de puras,
pois são amantes do azul do céu
em uma eterna explosão orgiástica de beleza
que ilumina o mundo
sem que o mundo de fato se aperceba.

A luz é amante das sombras.
Sempre clara e coesa,
traz à superfície o seu império
e rastros de nobreza.

Essa mesma luz
ilumina a escuridão escura
das almas transitantes sem rumo.
Ela nasce de forma forçada a fórceps
após uma gestação incômoda.
Quer mergulhar na madrugada,
rasgar o céu
e colher estrelas.

As estrelas são astros,
talvez mortos na velocidade da luz,
que iluminam a velocidade terrena.
E, a todo custo,
elas querem aprimorar a primavera.
Ao pó da vida, dar crepúsculo à atmosfera.

Temos de respirar o ar irrespirável,
viver a vida invivível?
O ar de concreto que não chega a atingir as estranhas
e, na alma,
nada seduz?
O ar do mar de gente
que leva à solidão em meio à multidão?
Sem, na verdade,
oxigênio, amparo ou perdão?
Esse ar que leva à morte matada,
morosa e dolorosa?
O mesmo ar que,
nesta vida,
não comemora,
mas implora um pouco de imensidão...

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