sexta-feira, 27 de março de 2015

Palavras cancerosas


Eu tenho um câncer que precisa ser extirpado.
É uma dor violenta em meu coração.
Mas, no entanto, sou covarde para tanto.

A melancolia doidivanas me enfraquece,
porém dá-me forças para escrever.

Uma escorrida lágrima escorre de meu peito
enquanto aos jorros sangue jorra de meus brutos olhos.

Meu laconismo haveria de matar-me,
se não fossem as palavras
e sua exorcizante capacidade de exorcismo temporário.

Vão-se alguns demônios,
em pouco tempo outros voltam.
Para escrever,
mais vale um demônio na alma
do que dois sem rumo perambulando.

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