quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Heteroneurastenia ou em busca de Caeiro, Campos e Pessoa


A histeria histérica
passa passando...
chega chegando (cegando)...
neurastenia é nada,
nada e a lugar nenhum chega.

A moça que passa,
moça não é,
um espectro é.
São as pajelanças urbanas,
incutidas no mau cheiro do futuro,
concatenadas em rede com as mentes virtuais.

Ah, como queria viajar,
porém o mar que me leva não vai nem volta.
Sigo a arfar,
em câmera lenta,
por um céu que não venta,
que apenas acua e aguenta
esse ser incapaz de voar,
cujas asas foram cortadas
pelo monstro terrível do mar.

"Deverias ser um jovem auspicioso, deveras", dizes-me tu.
Ora, mas se nem consciencioso sou.
Sei apenas das minúcias, 
que, por menores que sejam,
são pormenores que a mim importam.

Outrossim...
Outro não...
Risos de senão...

A ode odiada é proferida por mim com ódio.
Tenho um sorriso nos lábios,
e a moça chora sem entender meu cinismo.
Todavia, a mim não importa.
Afinal, ela é um espectro,
e eu um pastor amoroso dos campos,
um fantasma a assombrar-te.

Se o tempo passa,
a meus olhos parece voar.
Por que voa tempo?
Aquiete-se, pois,
conquanto o som de tique-taque do relógio
não se assemelhe ao zunido do vento (tempo).

É isso...
O poeta é um fingidor.
A dor que deveras sente,
é fingida com dor,
em um fingir completamente.
Essa é a chave do enigma do poeta definidor.

Agora é a hora de retornar ao mundo real.
Acorda-te, poeta...

Nenhum comentário:

O duplo sete anos de azar

Quem luta com monstros deve ter cuidado para não se tornar um monstro. E se olhas demoradamente um abismo, o abismo olha para dentro de ti. ...