sexta-feira, 22 de março de 2013

Vaidade ou Conversas com Narciso

Em meio à noite, ouço vozes,
escuto lágrimas
                   [sinto-as.
Percebo Narciso em pranto.
Seria eu
         [ou um sonho?

Frente a ele,
pergunto por que chora.
Resposta não me é dada,
imagens se repetem
                          [frente a meus olhos.

Oh, meu caro Narciso,
tornes-te Mefistófeles.
Serei eu teu Fausto,
a vender-te minha alma
por alguns meros vinténs,
e pela bela Margarida,
que cutuca minha existência
                                         [e faz-me amar.
Leva minha alma a em prantos entrar.

Caro Narciso,
nunca escreverei o verso ideal
                                            [ou perfeito.
Vivo a contar as três moedas de ouro da humanidade
e a mendigar emoções e amores.

Por isso, abdico da existência vã,
pois meus sentimentos são em vão.

Adeus Narciso,
retornarei ao sono profundo.

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