quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Ceciliamente Bela

Gostaria de poder lembrar-me de teu beijo.
Teu afeto parece tão distante de mim.
Rememorar o resíduo do teu cheiro
é algo que não me é tão bom assim.

Teu espírito é apenas um furor.
É algo fugaz como o suor.
Teu rosto esvaiu-se de minha memória desmemoriada
e sigo por aí com a tua imagem a mim interiorizada.

Não sei se tu estás viva ou enterrada,
porém prefiro guardar-te assim imaculada.

Se tu imaginaste que estes versos são teus,
voltarias para os lábios meus?

Declaro a ti que nem alegre nem triste sou:
poeta sou e eterno amante teu.

Quanto ao resto nada sei.
Permaneço na dúvida se vou ou fico,
conservo-me ou me desmancho.

A única certeza é a de que um dia estarei mudo e definitivamente sem ti.
Seria este dia hoje ou o breve instante?
Esta é minha dúvida mais inquietante.
Adeus minha bela infante.
Saiba que amei-te 
e continuarei a amar-te de forma constante.

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