segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Fábula do cotidiano

Quem é aquele homem sentado a esperar o bonde?
É alguém não se sabe de onde.
Seu destino é um país distante.
As feições do homem apresentam um aspecto dissonante.
Os olhos são pequenos, a boca é igualmente diminuta e o nariz é grande.
Um homem como esse não pode pertencer a nosso mundo belamente fascinante.
Aproximo-me dele de maneira vacilante.
Ao conversarmos, ele mostra-se inteligente e brilhante.
Arrependo-me prontamente de meu pensamento meramente discriminante.
Pergunto o nome do homem: "É Modesto.", ele responde.
"Muito prazer em conhecê-lo. Chamo-me Rompante."
E eis que chega o bonde sonoramente irradiante.
Despeço-me de Modesto e sigo meu caminho, agora revigorante.

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