sábado, 16 de abril de 2011

Neuroses intolerantes urbanas

Dois homens se encontram em um bar conversando e bebendo cerveja. Um deles, pensativo, se vira para o outro e diz:

– O que você pensa sobre a vida?

– Não sei... Nunca parei para pensar nisso. – responde o outro E você, o que pensa?

O outro homem, meditativo, responde:

– A vida é como uma nave espacial. Passa tão rapidamente e tão imperceptivelmente que quando estamos perto da morte nos questionamos sobre várias coisas que deveríamos ter nos perguntado anteriormente.

– Sem graça. – diz o outro homem em tom sarcástico.

Seu companheiro lhe lança um olhar desafiador e diz:

– Então me diga você o que é a vida.

O outro homem responde em tom irônico:

– Bom... A vida é uma sucessão de perversidades... Começa pelo nascimento...

O homem bebe um gole de cerveja e continua sua explanação:

– Somos lançados ao cruel mundo dos homens sem sermos consultados sobre nossa opinião. Depois, quando chegamos à maioridade, temos de assumir as responsabilidades de adultos, ou seja, continuamos sendo irresponsáveis, só que agora com responsabilidades. Por último, temos de nos acostumar com a idéia da morte e do limbo.

O outro homem observa seu interlocutor de maneira impassível. Ele tem um sobressalto e diz:

– É uma visão carregada de pessimismo.

– Não tenho culpa se a vida é um poço de merda. – responde seu companheiro.

Os dois se entreolham de cima a baixo, como se estivessem se estudando. Eles se atracam, socando um ao outro. Rolam no chão e se esmurram. Um deles se levanta, pega a garrafa de cerveja e quebra na cabeça do outro, que morre imediatamente. O assassino observa o corpo ensangüentado com uma expressão de profundo ódio. Ofegante, ele bebe um gole de cerveja e vai embora enquanto o horizonte lhe engole.

Moral da história: Não existe moral que moralize sociedade alguma.

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