sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Marginalizado poeta

Saber caber entender
a vida
Que há de fazer

Descabida maneira
Abatida asneira

Taciturno poeta
Casmurro careta
jaz na sargeta

Vai vem
Vem vai
Vento vingai
vós quem vociverai
Vagueado velado poeta.

2 comentários:

Anônimo disse...

velado vela.

Gostei do poema. Lembrei do poeta Antonio Cícero e o seu guardar:

"Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.
Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.
Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela, isto é, estar por ela ou ser por ela.
Por isso, melhor se guarda o vôo de um pássaro
Do que de um pássaro sem vôos.
Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica, por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:
Por guardar-se o que se quer guardar."

Jeff Assunção disse...

Belo poema do Cícero.

Obrigado pelo elogio, amigo!

O duplo sete anos de azar

Quem luta com monstros deve ter cuidado para não se tornar um monstro. E se olhas demoradamente um abismo, o abismo olha para dentro de ti. ...