No exorcismo de mim mesmo, sou o Cubas da triste figura em busca do emplasto Graal que cure minhas feridas e dores... "Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico, como saudosa lembrança", esses poemas e textos poeirentos e deveras melancólicos...
quinta-feira, 25 de abril de 2013
Poema da vida (ou O velho)
Hoje eu acordei cedo
[cego
porém não surdo
Abracei-te em meio à escuridão
Regredi a uma época
onde não imaginava presente
passado ou futuro
Encontrava-me invisível
tal como o sou hoje
porém existia de fato
Nessas reminiscências
descobri que sempre fui um marginal marginalizado
Ninguém enxergava-me
porém nunca esforcei-me para tanto
O ser humano não vê por si mesmo
pois é um cego destituído de grande visão
Os oráculos nos abandonaram
deixando o mundo entregue à mediocridade
Retorno do transe chorando em teus braços
Tu me consolas
e diz palavras de amor
porém só as vejo em teus lábios
pois agora não encontro-me mais cego
e sim surdo.
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